Tina Toneti explicou através de nota que a medida foi tomada “para endurecer a fiscalização e fazer com que a comunidade se envolva na campanha de combate à nova gripe”. Além do toque de recolher, o decreto ainda suspendeu as aulas da rede pública e particular até o dia 27. Com a decisão, seis mil alunos voltam a ficar em casa por mais 19 dias. Outra justificativa da prefeita é o número de ocorrência da doença na cidade: 106 casos monitorados e duas mortes confirmadas.
Na nota, a prefeita explica que o monitoramento feito pela Secretaria Municipal de Saúde detectou casos suspeitos em professores, alunos e profissionais da rede pública de ensino. A fiscalização nas ruas e estabelecimentos comerciais será feita por cinco equipes de 12 fiscais da Vigilância Sanitária. Segundo o presidente da Associação Comercial e Indus trial de Jacarezinho (Acija), Mar celo Oliveira da Silva, o decreto deve prejudicar pelo menos 100 estabelecimentos.
Donos de bares, restaurantes e supermercados devem entrar hoje com pedido de liminar na Justiça contra o decreto. O dono do Restaurante Canta Galo, Ademar Ferreira da Silva, disse que as perdas por não poder abrir para o jantar chegará a R$ 40 mil até dia 27, data final do decreto. O dono do Bar do Estudante, Vanir de Oli vei ra, estava inconformado. Como o bar só abre à noite, durante 19 dias vai deixar de faturar mais de R$ 20 mil. “E ainda vou ficar sem minha freguesia porque depois de 19 dias fechado vai ser difícil manter os clientes”.
O chefe da Divisão de Atenção à Saúde da 19ª Regional de Saúde, com sede em Jacarezinho, Fabrício Luciano Rocha, disse que a medida da prefeita é exagerada porque a doença na cidade não está fora de controle. “Mas é uma decisão dela. Não vou questionar uma medida da prefeita”, justificou.
O promotor de Justiça Paulo Galotti Bonavides considerou o decreto uma medida autoritária que lembra os tempos da ditadura. “Ninguém pode impedir que as pessoas saiam às ruas e se reúnam onde quer que seja. Qualquer um que se sentir prejudicado com essa medida deve questionar o decreto na Justiça”, disse o promotor. Para Bonavides, a medida só se justificaria se a prefeita Tina Toneti ti vesse informações privilegiadas que comprovassem que a situação em Jacarezinho é alarmante em decorrência da nova gripe. “Mas não acho que seja o caso”, disse.
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