Inicialmente, a previsão é de que sejam liberados entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, correspondentes à diferença entre o valor recebido pelos municípios de FPM nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril. A partir de abril, a recomposição será feita mês a mês. Segundo levantamento da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), considerando apenas as perdas dos primeiros meses do ano, as prefeituras do estado deverão receber cerca de R$ 66 milhões de complementação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá assinar uma medida provisória (MP) determinando a compensação aos municípios, sem definir valores. O crédito previsto a ser repassado às prefeituras deverá estar em projeto de lei emergencial que o Palácio do Planalto vai encaminhar ao Congresso. Em reunião ontem com os representantes dos municípios, o governo se comprometeu a depositar o dinheiro nas contas das prefeituras cinco dias após o Congresso aprovar o projeto de lei. “Até o final do ano não haverá nenhuma diferença a ser paga aos municípios”, garantiu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “Estamos colocando este valor (R$ 1 bilhão) como precaução. Mas achamos que não vamos gastar todo este dinheiro”, comentou o ministro. Reações opostas O acordo com o governo federal foi comemorado pelo presidente da AMP, Moacyr Fadel Júnior. “Essa vitória para todo o Brasil foi resultado de uma luta que começou no Paraná”, destaca Fadel Júnior, que também é prefeito de Castro, na região dos Campos Gerais. O presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), João Paulo Lima e Silva, ex-prefeito de Recife (PE), também aprovou a medida. “Achei, do ponto de vista imediato, uma grande vitória para o municipalismo. A recuperação em relação ao ano passado é uma recomposição muito importante. Só em Recife serão R$ 13 milhões. Vai ajudar as prefeituras a sair do sufoco. Esses recursos vão aumentar o aquecimento da economia nos municípios”, disse. No entanto, o acordo não agradou a todos. Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, a complementação em valores nominais – sem correção da inflação – não irá beneficiar as prefeituras. “Essa complementação deveria ser em valores reais e não nominais. Desconsiderando a inflação, o repasse deste ano foi quase o mesmo do de 2008”, disse. Segundo estudo da CNM, os municípios perderam cerca de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2009 em comparação com o mesmo período do ano passado, se considerada a inflação acumulada. Outro ponto que desagradou a Ziulkoski foi o fato de o governo não ter negociado a suspensão temporária do pagamento das dívidas previdenciárias das cidades. “Não se fez o enfrentamento desta questão, que compromete muito o orçamento dos municípios”, lamentou ele. Segundo Fadel Júnior, que participou da reunião com o governo, a medida ficou para ser estudada em outro momento. Ele afirma, no entanto, que a proposta não iria ajudar os municípios paranaenses. “A maioria das cidades já renegociaram a dívida com o INSS. Isso só iria empurrar com a barriga uma dívida que é impagável.” Gazeta do Povo
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