A delegada da 38ª Delegacia Regional de Polícia, Margareth Neves Alferes de Oliveira Mota pediu bom senso à diretoria do Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Santo Antônio da Platina, e sugeriu o afastamento do provedor José Barbosa Filho durante as investigações. O provedor é pai do advogado Álvaro José da Silva Barbosa, suspeito de comandar um esquema de fraudes contra o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat) dentro do hospital. “Nestes casos, o afastamento temporário é o melhor modo para manter o processo transparente, sem deixar dúvidas”, afirma a delegada.
Na tarde da última terça-feira (28), Álvaro prestou depoimento na delegacia. Ele negou todas as acusações e disse apenas que prestava serviços para o hospital e também consultoria aos pacientes. Segundo ele, todos os pacientes que assinaram as procurações em seu nome sabiam o que estavam fazendo.
De acordo com as investigações, para conseguir informações privilegiadas dos pacientes, Álvaro remunerava um funcionário do hospital para colher os dados sobre vítimas de acidentes. Um ex-funcionário do hospital que não quis se identificar, relatou à reportagem que a prática era comum lá dentro. “Esse funcionário oferecia R$ 10 para recepcionistas e enfermeiros que lhe entregasse a ficha dos pacientes completa com os dados necessários para dar entrada no Dpvat”, revela. O funcionário deve ser intimado para depor ainda essa semana. A polícia quer saber se ele tem vínculo empregatício com o hospital, com o advogado, ou ambos.
A delegada disse ainda que aguarda resultado de análises, perícias para a conclusão do inquérito. “É um típico caso demorado, pois dependemos de estudos detalhados, principalmente aqueles que constatam veracidade de documentos”, explica. Neves não tem previsão de quando os laudos ficam prontos.
Esquema
A polícia acredita que os envolvidos fraudavam a documentação do Dpvat através de procurações frias ou assinadas sem o conhecimento das vítimas de acidente. O grupo também falsificava assinaturas de socorristas do Corpo de Bombeiros que atendiam as vítimas de acidentes. Entre as falsificações aparecem a assinatura do comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Alecsander Dornellas, de vários médicos e fisioterapeutas. Com os documentos, os investigados recebiam o dinheiro que deveriam cobrir as despesas médicas e hospitalares prestadas pela casa de saúde às vítimas de acidente.
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