Um duto de esgoto da Sanepar que se rompeu na tarde de domingo (24), em um fundo de vale entre o Centro e a Vila Rosa, em Jacarezinho, contaminou o Ribeirão Água Feia e causou mortandade de peixes. Um tanque escavado em uma propriedade rural, ao lado da ponte, também foi atingido, matando vários exemplares de tilápias e traíras da criação. Funcionários da empreiteira terceirizada tiveram dificuldades para conter os resíduos. Segundo alguns moradores, o problema é constante.
De acordo com a chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em Jacarezinho, Rosa Maria Gonzaga Baccon, a Sanepar foi notificada a apresentar um estudo detalhado da capacidade da rede de esgoto na área, para a avaliação se há a necessidade de investimentos para evitar outros danos ambientais. “Não fizemos autuação, pois o objetivo é que o problema seja sanado, porém, em caso de reincidência, pode haver penalidades”, advertiu.
Rosa contou que o IAP e a Polícia Ambiental atenderam a ocorrência, porém ela minimizou os danos ambientais causados. “É um curso d’água de pequeno porte e já prejudicado com a emissão de esgotos clandestinos de algumas casas na periferia da cidade. Porém, este é outro problema que tem de ser resolvido”, pontuou.
O gerente do escritório regional da Sanepar, em Santo Antônio da Platina, Gandy Ney de Camargo, contou que o extravasamento foi causado por objetos jogados na rede de esgoto. Durante os reparos, a reportagem da Tribuna do Vale, flagrou a retirada de restos de materiais de construção, panos, plásticos e até de um celular. “Nós enfrentamos este tipo de problema em vários municípios, mas em Jacarezinho o caso é crônico. O povo joga esses entulhos e a rede não aguenta, se rompe mesmo”, explica.
“A rede é projetada para receber apenas o esgoto doméstico. Qualquer objeto diferente pode provocar o entupimento, impedindo a passagem normal do esgoto. Assim, os dejetos se acumulam, trancam o fluxo do esgoto e acabam ocasionando extravasamentos da rede ou até mesmo causam refluxo do esgoto para dentro dos imóveis”, completa.
Para que não haja transtornos, a recomendação é de que as instalações sanitárias sejam feitas adequadamente, que a ligação da água da chuva seja direcionada para as galerias de águas pluviais e que os objetos sejam destinados para a reciclagem ou para o aterro sanitário. Os tampões que existem nas redes coletoras servem para a manutenção e limpeza realizada periodicamente pelas equipes da Sanepar. Não devem ser abertas pela população e jamais devem receber restos de materiais de construção.
Pelo duto passa todo o esgoto originário da parte baixa do centro da cidade, região da delegacia até próximo à ponte. Moradores, que preferiram não se identificar, cederam fotos que mostram dezenas de peixes mortos em vazamentos anteriores no mesmo duto. Segundo eles, havia exatamente dois meses do último incidente quando o esgoto cobriu o pasto na tarde de domingo.
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