domingo, 17 de maio de 2009

Menino faz depósito de R$ 150 para acessar jogo virtual em lan house


O Conselho Tutelar de Ribeirão do Pinhal deve se reunir com o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e, posteriormente, com o Ministério Público, para discutir uma situação inédita na cidade, ocorrida ontem de manhã. Um menino de 12 anos fez um depósito de R$ 150 em uma conta bancária para poder acessar um jogo virtual disponível na internet. O fato foi comunicado pelo proprietário de uma lan house. Segundo o Conselho Tutelar, existe um acordo com os estabelecimentos que disponibilizam computadores para que crianças em idade escolar não freqüentem esses locais em horários de aula. No caso desse menino, a regra foi desrespeitada porque ele foi ao local justamente em horário de escola. O que também chamou a atenção é que o garoto teve que pagar R$ 150 para poder acessar o jogo virtual, efetuando um depósito numa agência bancária. Segundo as conselheiras que atenderam o caso, o menino disse que ganhou o dinheiro de sua avó. De acordo com o Conselho Tutelar, o tal jogo virtual em questão é conhecido pelo nome de “MU”, e trata-se de um cenário de guerra. As conselheiras apuraram que o dinheiro é usado para, virtual- mente, comprar as armas que são utilizadas nas batalhas. O valor depositado estabelece uma espécie de crédito, que vai se esgotando. Quando termina, o jogador tem que fazer novo depósito. Para as conselheiras, esse tipo de jogo influencia negativamente na formação da personalidade da criança. Na avaliação delas, como a criança ainda não tem a real noção do significado do dinheiro e, tampouco, de que é preciso trabalhar para ganhá-lo, ela acaba ficando sem limites. Dependendo do resultado da reunião com o conselho municipal e com o Ministério Público, o Conselho Tutelar informou que poderá promover uma campanha nas escolas, alertando para essa nova situação. Santo Antônio da Platina Segundo o presidente do Conselho Tutelar de Santo Antônio da Platina, Marcelo Marcos de Araújo, um proprietário de lan house já foi preso, outro detido e um pagou multa por desrespeitar o acordo firmado, estabelecendo regras rígidas para as crianças freqüentarem esses estabelecimentos. “Uma das punições ocorreu por termos flagrado uma criança de sete anos de ida- de usando um computador de uma lan house às 22h30. Isso é um absurdo, isso não é um horário propício para criança estar fora de casa, quanto mais dentro de um estabelecimento desse tipo”, diz Araújo. Sobre o caso do menino de Ribeirão do Pinhal, a opinião dele é que a situação, realmente, precisa ser analisada com muito critério. “Primeiro, porque, sem dúvida alguma, esse tipo de jogo influencia na formação psicológica da criança. Segundo, porque é pago, o que configura um jogo de azar, o que é ilícito”, analisa. Segundo ele, o Poder Judiciário pode, se achar conveniente, proibir o acesso ao jogo.

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